domingo, 2 de janeiro de 2011

A Caixa

Foi um presente
Nada é tão marcante
Quando pouco se espera
Encontra
Uma caixa de memórias
Até pensei que não as tinhas
Provocou algo em ver a caixa
Memórias
Fotos, palavras, cores, contraste
Já esta pronta
É que já veio pronta
Pra despejar todo o meu conteúdo
Que até então nem sabia
Tudo estava em vários lugares
Agora já tem seu lugar
Na caixa
De tal forma
Que já vem com foto
Marcante, mascada, melada
Em seu papel de memórias
Devo confessar que a caixa
Marca minha memória
Fugaz, eterna e infinita
Como o primeiro aprendiz
De coisas a serem guardadas

Verão

Quando o mundo transpira
É verão
Quente, desgastante
Sexualmente interessante
É tempo de transpirar
Sexualidade
Vibramos em cada rua
Saias, shorts, biquínis
Pernas de fora
Vibrantes
Escandalosamente
Vibrantes
Bom vento
Bom tempo
Que faz vibrar
Que bom
Sentir o verão

Papai Noel

Hoje vi o Papai Noel. Dizer que foi uma verdade incorruptível, afirmo que foi. Mas tem um porem, não estes que vivem do Natal, que tiram fotos com as crianças que freqüentam nos shopping. Mas um algo real, bem verdadeiro, tipicamente uma visão bem marcante. Realmente é o meu Papai Noel.
Lá estava na frente da calçada com seu saco vermelho, roupa vermelha, digamos que perdeu sua cor original, mas que tinha um algo de vermelho, ainda se podia ver. Mas é meu Papai Noel de todos anos, que posso fazer se já se foram cinco décadas que espero, então lá estava sua digníssima pessoal em carne e osso.
Pensei que teria mais barriga, um pouco mais de carne em todo corpo, mas a roupa tinha um tom de vermelho, deve ser as cinco décadas que se foram e ela acabou ficando desta forma, meio desbotada com o tempo.
Suas feições eram de como a roupa. O branco estava nos cabelos e na barba rala, nas mãos tremulas seguram o saco meio avermelhada. Este é meu Papai Noel, de cor negra, barba rala e cabelos brancos, o cheiro de falta de banho se espalhava por todo canto. Havia algo que cômico e real da vida. O meu Papai Noel que tanto esperei era magro, seu sorriso desdentado mostrava como a vida lhe fizera. As rugas na testa e o olho esperto, mesmo que seja apenas um, estavam todos ali. Olhamo-nos por muito tempo, como se estivéssemos nos medindo o tempo da minha espera e da sua espera em se mostra, cada qual com seu pensamento.
Não veio medo, é que na verdade ali se encontrava a minha figura de esperança, ou a minha figura de insegurança, tudo carregado em um saco vermelho desbotado de cinco décadas que se foram. No primeiro momento pensei que estava com o saco cheio de coisas que tanto esperei, mas percebi naquele olhar vago, naquelas mãos tremulas segurando aquele saco desbotado, que não havia grandes coisas. Mas que devia ser pesado. Algo estranho percebo, as botas, eram novas, perfeitamente novas, tornando um contraste entre a roupa, o homem e o cheiro. É que na verdade meu Papai Noel infantil tinha um cheiro agradável.
Continuamos a nos olhar, a distancia não era muita, que o cheiro de falta de banho mesclado com carne podre, vinham nas minhas narinas forte. O meu Papai Noel deu-me as costa, como sempre fez por cinco décadas, mas estava tão próximo que não poderia deixar de falar, indagar algo, foi em sua direção, nem sei onde criei coragem para tanto, por um simples motivo o cheiro, era muito deprimente.
Quando sentiu que aproximava, retornou seu olhar, que na verdade me deixou calado, quando vi um olho furado, escorrendo um liquido amarelado, ele sorriu, as gengivas estavam todas lá, amareladas de fumo. Ficamos não muito próximos, mas um distancia conveniente para mim, não para ele, foi neste momento com passos lentos e trêmulos que foi se aproximando, o cheiro já envolvia todo o ambiente. Chegou e retirou daquele saco desbotado de cinco décadas, três embrulhos, fiquei intrigado, mas não movi do lugar, estávamos bem próximos, isto causou um certo enjoou pelo cheiro.
O primeiro pacote era pequeno, não passava de uma pequena caixa, aquelas mãos tremulas me entregou, não disse uma só palavra, até que estava bem embrulhado, peguei daquela mão tremula e tive curiosidade em abrir, ele apenas fez sinal com a mão, que não abrisse, mas sim para ler que estava escrito. Foi isto que fiz, assim estava escrito: “aqui se encontra todos os seus dias”. Segurei com força, era muito pesado, era como todos os dias que se passaram estivessem dentro de mim. Entregou uma segunda caixa, um pouco maior, até um pouco mais leve, estava escrito: “aqui se encontra todas as suas magoas”. Percebi que a primeira caixa era mais pesada, a segunda era bem mais fácil carregar. Então veio a terceira caixa, bem grande, estava escrito: “aqui encontra todos seus sonhos não realizados”. Deve ser por isto que a caixa era grande, mas com uma leveza infernal, tive que segurar para não sair voando com o vento.
As gengivas apareceram naquele sorriso, e sua voz surgiu no espaço do cheiro, como uma faca que corta a manteiga. Não posso dizer que era uma voz acolhedora, digo que era meio roca, como a voz destes cantores modernos, que gritam no microfone para as pessoas não perceber que não existe voz alguma ali. Foi marcante as palavras que usou, simples, medonha e verdadeira, como era verdadeiro meu Papai Noel. Sujo, desdentado, cabelos desleixado, fedendo a carne estragada. Doeu ouvir sua voz, doeu escutar as palavras, mas estão aqui presentes e nunca irão partir, é minha verdade, nada muda com a verdade.
Seu olhar foi de despedida, foi saindo e o cheiro foi se dissipando e as palavras continuaram ali, estavam ali e estavam dentro de mim, não entendi. Fiquei olhando sua partida, é que em todos anos vem a vontade de fazer caridade a mim mesmo, ou até com sobra dar um pouco de Natal a outros. Mas ali ficaram as palavras, nada mais. Caixa pesada de passado, caixa mais leve suas magoas, caixa levíssima meus sonhos. Suas palavras tomarão rumo dentro de mim, como qualquer coisa que nos faz lembrar-se de algo que nunca vamos admitir, mas era verdade, não poderia dizer que não. “Viva, Viva, Viva... Seus sonhos são leves, sua vida é pesada, suas magoas ficam bem pouco dentro de você. Viva, Viva, Vida... Feliz Natal!!!

teste de postagem

é o meu filho de música

domingo, 8 de agosto de 2010

poesia: Descobridor

Descobridor
Do ser feliz
É do simples sorriso
Que surge o encanto
Vem sempre com a marca
Estampada no rosto
Tornando tudo natural
Desarmando a alma
Em tormento do dia
Não há explicação
Mas multiplicação em si
Quando surge
De sorriso pronto
Tudo torna um jogo
Da ansiedade
Do encanto
Que sempre vem
Do sorriso do olhar
Descobridor

semana

Devemos saber: Que é mais fácil sorrir, pois colocamos o mundo nas nuvens e tornando o momento divino. Que é mais fácil seguir os sonhos, é desta fora que colocamos o pé na realidade. Que o simples é sempre fácil fazer, mas se não ir à busca de algo difícil, a vida se torna sem graça. Que uma canção ao ser ouvida, deve sempre ouvir com a alma, só o corpo vibra no mesmo acorde. Que um beijo sempre trás algo de volta, principalmente o amor. É bom saber que andar sobre as estrelas, sentirá que a realidade é algo solido e entenderá que o sorriso é algo mágico de ser vivido... beijos de uma linda semana...